Expo Toys 2018 mostra mudanças e quebras de paradigmas na produção de brinquedos no Brasil
Bonecas e bonecos negros, com cabelos encaracolados, gordinhos e até boneco lutador de MMA negro. A feira Expo Toys 2018, que acontece em São Paulo, expõe inúmeros brinquedos que refletem as características reais dos consumidores brasileiros
Expo Toys 2018

Identificação com o público consumidor. Esta é a expressão de ordem no marketing da grande maioria dos fabricantes de brinquedos expositores da feira Expo Toys 2018, que acontece até amanhã dia 26, no Pró Magno Centro de Eventos em São Paulo (SP).

Para eles, os consumidores buscam brinquedos, principalmente bonecos e bonecas, os quais se identificam. A bonecas loiras, cabelos lisos, altas e esbeltas ainda continuam reinando nas vitrines das lojas, mas, agora, têm que dividir o espaço, ainda que em menor proporção, e a atenção dos consumidores com as bonecas e bonecos negros.

Pioneira na fabricação de brinquedos étnicos no Brasil, a Cotiplas recorda do alvoroço e da rejeição de alguns lojistas quando lançou há cerca de 15 anos os "Baixinhos da Xuxa" negros. "Recebemos muitas críticas. A grande maioria dizia que era produto de encalhe nos estoques das lojas. Insistimos e hoje temos uma linha étnica com mais de 40 produtos", revela Carlos Alberto Bazzo, diretor da empresa.

Expo Toys 2018 - Artbrink
Expo Toys 2018 - Biemme

E uma dessas novidades, a "Boneca Tayla", negra, cabelos pretos encaracolados, que em breve chegará às lojas do País, foi especialmente projetada com a consultoria de uma profissional negra, que não se sentia representada nos produtos existentes no mercado. "Ela se sentia incomodada com o não reconhecimento da beleza negra nas bonecas", explica Bazzo.

Vendeu quase meio milhão

Também integram o reino das princesas da Brinquedos Zap, a coleção "Meninas Brasileiras" - gordinha, morena, negra, indígena, oriental e branca. "Cada uma representa um modelo específico de beleza da população brasileira. O Brasil é o país da miscigenação e as vitrines devem espelhar esta realidade", ressalta Célia Theodoro, diretora da empresa.

A Brinquedos Zap é um case de sucesso nesse segmento étnico. A empresa surgiu em 2010 para atender de forma exclusiva o mercado da cidade de Luanda, capital da Angola. Até pouco tempo, a empresa trabalhava exclusivamente para a atender a demanda daquele mercado produzindo bonecas e bonecos negros.

"A procura era tanta que quase não conseguíamos atender aos pedidos. Em função disso, somente começamos a trabalhar o mercado brasileiro em 2015. E foi um sucesso. Só para se ter ideia, nossa linha Tri Lili, com bonecas de várias raças, vendeu quase meio milhão de unidades. Hoje, temos entre nossos clientes inclusive as escolas, que compram nossos produtos visando a interação entre as crianças", revela Célia.

Segundo ela, há cerca de 15 anos quando começou a produção de bonecas negras no Brasil, os fabricantes não conseguiam retratar a beleza e as características dessa raça nos produtos. "A boneca era fabricada com pigmento preto demais e o cabelo liso e claro. Atualmente, o pigmento usado é o marrom chocolate que retrata bem melhor a pele negra nos produtos", diz.

Expo Toys 2018 - Cotiplás
Expo Toys 2018

Perfeição estética racial

Há cerca de seis anos, a Adijomar lançou a coleção "MMA Mega Combate" composta por dois bonecos lutadores, um branco e um negro, aproveitando sucesso do lutador Anderson Silva. A empresa ficou surpresa com a grande aceitação do produto de nicho, que já atingiu mais 30 mil unidades comercializadas.

No catálogo da Alligra, o lojista pode encontrar uma versão negra da maioria de sua bonecas. É assim com a "Coleção Belitinha", "Dudinha", e "Tuty Baby", "Kikinga", "Bella Frutta Baby", entre outras. "Começamos a trabalhar esse segmento há cerca de seis anos quando introduzimos a matéria-prima do vinil em nossa linha de produção. Com isso, criamos bonecas negras e morenas", explica José Antônio F. Miranda, diretor da empresa.

Expo Toys 2018 - Usual Brinquedos

Com cerca de 10 coleções de bonecas contendo as versões negras ou morenas, Miranda ressalta que o próprio lojista já pede a versão do produto. "Desde o nosso primeiro lançamento, as vendas sempre foram muito boas, pois atendemos um segmento de mercado específico e que cresce a cada dia", ressalta

Para ele, a principal mudança que ocorreu na fabricação desse tipo de produto na Alligra foi a busca pela diferenciação estética do produto. "Antes, numa coleção, tínhamos a versão loira e a morena ou negra que se diferenciavam entre si pela cor da pele e cabelo. Hoje, até as feições se diferenciam, até o formato do crânio é diferente. Estamos num momento de busca da perfeição estética em termos de representatividade racial das bonecas", finaliza Miranda.

 

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