Ri Happy pede recuperação extrajudicial por dívida de mais de R$ 827 milhões
Mais um pedido de recuperação judicial neste ano, em maio outra empresa do setor, a Estrela já havia pedido de RJ, que liga o alerta para o mercado de brinquedos. Agora no varejo, da maior rede de lojas do Brasil.

@Grupo Ri Happy/Divulgação
Fachada de loja do Grupo Ri Happy já com a fachada Divertudo
O Grupo Ri Happy entrou com um pedido de recuperação extrajudicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP). O processo foi distribuído neste domingo (18 de outubro) e aguarda o primeiro pronunciamento da juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira.
O pedido inclui a própria Ri Happy e outras cinco empresas: PB Kids, Part Out Franquias, New Toys, Divertudo (buffet de festas) e Brincar Marcas e Participações. Elas incluem uma dívida de mais de R$ 827 milhões.
De acordo com o portal G1, que teve acesso aos autos, o plano de recuperação já conta com a adesão de credores que respondem por R$ 308,8 milhões, ou 42,2% do total de débitos abrangidos. O veículo ainda informa que o grupo atribui a crise financeira aos efeitos da pandemia, ao aumento dos juros e à queda nas vendas no varejo.
Ri Happy enfrenta pressão global do setor de brinquedos e desafio de rentabilidade
Com a entrada da varejista com pedido de recuperação extrajudicial neste domingo faz crescer fila atrás de outros casos que vêm sendo noticiados. Não trata-se apenas de uma crise financeira, o que pode ser explicado somente pela lente dos juros altos, por exemplo. O comportamento do consumidor aparece com ênfase neste caso. A análise é de Eduardo Yamashita, sócio-diretor da Gouvêa Inteligência.
Para o executivo, o setor de brinquedos está pressionado por mudanças nos hábitos do consumidor e outras formas de entretenimento, além do fortalecimento dos canais digitais de vendas – queixa bastante comum do varejo como um todo depois do forte avanço dos marketplaces. Segundo ele, o desafio do varejo de brinquedos é adaptar seus modelos de negócio. O varejo de brinquedos ainda precisa competir com a atenção das crianças que estão conectadas nas redes sociais, videogames e serviços de streaming.
“O consumidor passou a privilegiar os canais digitais para comprar brinquedos, uma categoria em que muitos produtos são comparáveis entre diferentes varejistas e em que a variedade de itens é muito grande”, afirma.
Lojas físicas precisam ir além das vendas
Yamashita explica que, diante desse cenário, redes de brinquedos têm investido no comércio eletrônico, na diversificação dos negócios e na oferta de serviços e experiências. “As lojas físicas precisam ir além da venda de produtos e se transformar em espaços de experimentação, entretenimento e relacionamento com o consumidor, além de funcionar como pontos de apoio à operação digital”, diz.
No entanto, o executivo alerta que essa transformação não garante resultados financeiros. “Encontrar um modelo rentável que combine essas diferentes funções é um desafio, e a experiência de uma nova loja, por si só, não garante o resultado esperado.”
A avaliação também se aplica a formatos como a Divertudo, da Ri Happy. Embora a combinação de varejo, entretenimento e experiência esteja alinhada às mudanças do segmento, o desempenho depende de uma proposta de valor clara para o consumidor e de uma estrutura operacional financeiramente sustentável.

@Grupo Ri Happy/Divulgação
Héctor Nuñez liderou a aquisição pela BluSun Capital Partners em 31 de agosto e assumiu o cargo de CEO da companhia
Juros elevados ampliam a pressão sobre o setor
No Brasil, o cenário é agravado pelo custo do crédito e pela pressão sobre o orçamento das famílias – outro grande desafio. As taxas de juros elevadas encarecem o financiamento das operações e reduzem a disposição para o consumo, especialmente em categorias não essenciais, como brinquedos.
“Esse efeito é particularmente relevante em categorias não essenciais, como brinquedos, nas quais a compra pode ser adiada ou substituída por outras formas de lazer”, explica.
O pedido vem em fase de remodelação da companhia
O pedido de recuperação extrajudicial da Ri Happy tem como objetivo renegociar dívidas e reorganizar sua estrutura financeira. A rede passou recentemente por uma mudança de controle, com a aquisição pela BluSun Capital Partners, fundada por Héctor Nuñez, em 31 de agosto. O executivo assumiu o cargo de CEO da companhia.
A recuperação extrajudicial é uma forma menos invasiva de reestruturar dívidas: a empresa negocia diretamente com os credores e pode pedir a homologação do acordo à Justiça. Na recuperação judicial, o processo é mais amplo e ocorre sob maior supervisão judicial. Já a falência envolve a liquidação dos ativos para pagamento dos credores conforme a ordem prevista em lei.
Com informações: mercadoeconsumo.com.br
