Segurança e conformidade no mercado de brinquedos
Rastreabilidade, inovação e certificação tornam-se essenciais em um setor cada vez mais digital e conectado.

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O avanço do e-commerce e das importações diretas facilitou a entrada de brinquedos sem certificação no país, que representa riscos significativos, como a presença de substâncias químicas inadequadas, por exemplo.
O setor de brinquedos vive um momento de transformação impulsionado pela inovação, pela digitalização do comércio e por mudanças no ambiente regulatório. Se por um lado o mercado amplia o acesso e diversifica a oferta de produtos, por outro cresce a preocupação com a segurança e a conformidade dos itens disponíveis ao consumidor, especialmente no ambiente online.
O avanço do e-commerce e das importações diretas facilitou a entrada de brinquedos sem certificação no país, muitos deles sem rastreabilidade e sem comprovação de conformidade com os requisitos de segurança. Esse cenário representa riscos significativos, como a presença de substâncias químicas inadequadas, falhas mecânicas, perigos elétricos e ausência de informações essenciais ao consumidor. Além disso, a comercialização irregular cria concorrência desleal e compromete a confiança no mercado.
Nesse contexto, a certificação assume um papel ainda mais relevante. Mais do que uma exigência regulatória, trata-se de um mecanismo essencial para assegurar que os brinquedos atendam aos requisitos técnicos e de segurança, protegendo as crianças e fortalecendo a confiança de pais e responsáveis. O processo envolve ensaios rigorosos, avaliação de riscos e rastreabilidade ao longo da cadeia produtiva, contribuindo para a transparência e a responsabilidade de fabricantes, importadores e canais de venda.
Paralelamente, o ambiente regulatório tem evoluído para acompanhar as mudanças do mercado. Observa-se uma atenção crescente à rastreabilidade dos produtos, à responsabilidade dos importadores e à fiscalização de vendas digitais, além do reforço nas exigências de rotulagem, advertências e documentação técnica.
Outro fator que vem ganhando destaque é o crescimento dos brinquedos eletrônicos e conectados. Produtos integrados a aplicativos, sensores e conectividade sem fio proporcionam novas experiências lúdicas e educativas, mas também ampliam os requisitos de avaliação. Além da segurança mecânica e química, esses produtos podem exigir verificação de segurança elétrica, de compatibilidade eletromagnética e de requisitos de telecomunicações aplicáveis.
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Amanda Strumiello, Country Business Line Leader na Intertek Brasil. É engenheira, com MBA em Gestão da Qualidade e pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho pela Poli-USP. Atua há mais de 16 anos com certificação de produtos no Brasil e América Latina, sendo atualmente Country Business Line Leader na Intertek Brasil. É especialista em regulamentações do Inmetro, Anatel e certificações internacionais.
À medida que o setor evolui, torna-se evidente que inovação, conformidade e segurança devem caminhar juntas. Garantir que os brinquedos atendam aos requisitos técnicos e regulatórios não apenas proteja o consumidor infantil, mas também fortaleça a credibilidade das marcas e contribua para um mercado mais seguro, competitivo e sustentável.
